Diário de Bali

 

Eu sabia que queria fazer uma viagem diferente, só não sabia muito bem qual seria o destino. Pensei em Bali, na Indonésia, mas também pensei em outros sítios como a Índia e a Turquia. Lembro- me de ter comentado que gostaria de ir a Bali sozinha e me terem dito “Bali? Tem calma, tens muito mais para descobrir antes desse grande passo que é ir a Bali.”. Mas Bali fazia sentido para mim, e era só o que me importava naquele momento. Tinha que me ouvir e dar atenção ao que a minha alma queria.

Decidi ir. A minha ideia inicial era ir sozinha, apesar de todo o medo que eu sentia do desconhecido e apesar de ser completamente fora da minha zona de conforto. Eu sempre duvidei das minhas capacidades, não sei bem porquê, mas agora, decidi mostrar a mim mesma de que consigo tudo o que eu quero e que a única coisa que me pode impedir de tentar sou eu mesma. Não vou mais ser escrava do medo e vou sempre seguir o meu coração. Depois de decidir ir sozinha, disseram me que iam lá em Abril e eu nem hesitei. Acho que depois de ter manifestado, o universo deu um empurrão. Comprei a viagem pouco menos de um mês antes e fui em Abril. Não consigo explicar a excitação que eu senti durante esse mês antes da viagem, só sei que não tinha espaço para mais nada na minha cabeça. Era bom demais. Fui até Madrid pela Ryanair e pela companhia aérea russa Aeroflot o resto da viagem porque tinha que fazer escala em Moscovo. Dezanove horas depois estava em Bali.

 

 

 

Assim que cheguei era noite, e vínhamos no avião a observar a temperatura do ar lá fora a subir grau a grau até aos 32ºC. Fui logo inundada pelo cheiro intenso que pairava por todo o lado que era o incenso das oferendas aos deuses. Além do cheiro, estava um calor imenso, apesar de ser noite. Estava um taxista à espera, e rapidamente cheguei ao hotel (foram 45 minutos de caminho, mas para mim passaram a voar porque eu só queria absorver tudo aquilo que eu via pelo caminho). O hotel chamava se UMASRIBALI. Não era nada de especial, mas para mim, isso nunca foi o mais importante. Eu estava ali, por isso pouco mais importava. Tinha uma piscina grande à porta do quarto e estava um silêncio que eu nunca vou conseguir explicar. Nessa noite fui jantar a uma pizzaria ali perto, e fui dormir, que já não dormia há mais de 48 horas.

 

 

 

Acordei ás 8 horas da manhã (que era 1 hora da manhã em Portugal) e fui tomar o meu primeiro pequeno-almoço na ilha a um café ali ao lado “Kembali Bumbak”. Experimentei as famosas bowls e um batido de fruta. A comida era de sonho, assim como os cafés e aquelas paisagens verdes que só se vêm em filmes.

 

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Fui alugar uma scooter para um mês por 700.000 rupias (44 Euros) e fomos até à praia. Como tinha aprendido a andar de scooter a apenas um mês, fiquei completamente em pânico no meio daquele trânsito. Não estava preparada para aquilo, acho que nunca poderia estar. Foi o suficiente para eu estar tão nervosa e a tremer que acabei mesmo por cair e não pegar mais na scooter. Achei naquele momento que tinha acabado de arruinar a minha viagem. Nessa noite, e mais calma, fui jantar a um restaurante macrobiótico (BaliBuda) e comi uma salada, mas não era uma salada como as nossas, a quantidade de nutrientes num prato só, era de outro mundo. O restaurante era lindo, e tinha uma loja no meio do restaurante de produtos biológicos e macrobióticos.

 

 

 

 

Entretanto arranjei um cartão de telemóvel com 5 GB de internet, se não me engano, e por 6 euros, para poder sobreviver sozinha naquele mundo. Rapidamente me falaram de uma aplicação (GO-JEK) de táxis de mota e de carro, e onde se podia também pedir comida. Eu não sei o que seria de mim sem esta aplicação. Acho que teria ficado no hotel todos os dias e sem comer, já que andar a pé na zona onde eu estava era praticamente impossível, pois não havia passeios e o trânsito não possibilitava andar na estrada a pé. A maior parte das vezes eu pedia o táxi-mota e nem dois minutos demorava a chegar, já para não falar que era super acessível (uma média de 10 minutos eram 4000 rupias (0,20 cêntimos). Se fossem destinos longos poderia sempre pedir táxi de carro.

No terceiro dia, fui tomar o pequeno almoço ao Bumbak café, onde comi as melhores e maiores panquecas da minha vida.

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Fui ao supermercado a pé, sem passeios e com motas a passar constantemente, tudo cheio de lama e as vezes sem espaço para passar.  A voltar para o hotel perdi-me. Andei duas horas perdida a andar para trás e para a frente a tentar encontrar pontos de referência, mas eu estava ali há três dias, não tinha ainda noção de nada. Perguntei a moradores se sabiam onde era o meu hotel, mas nada, ninguém sabia, perguntei por táxis, diziam me que não havia, enfim…o caos para mim. E o calor que estava…era meio-dia. Fiquei sem bateria no telemóvel e não pude ver onde estava, nem o caminho de volta, nem podia ligar a ninguém, nem mandar mensagens…nada. Eu estava por minha conta, e pior…ninguém sabia onde eu estava, nem que eu precisava de ajuda. Por sorte, encontrei um café e estava lá uma turista com o computador que me ajudou e viu no google maps onde era o meu hotel e mostrou me o caminho de volta. Não imaginam mesmo o meu pânico, eu sozinha no meio do nada, onde todas as ruas me pareciam iguais, onde não há placas, onde não conhecia ninguém… Passei por muitas emoções mesmo, mas foi muito importante para mim sair da minha zona de conforto e desenrascar me sozinha. Eu sou daquelas pessoas que não pergunta nem pede nada a ninguém mesmo que esteja aflita, por isso imaginam o passo gigante que eu dei ao pedir ajuda.

No dia seguinte fiquei o dia todo no hotel a relaxar, a estudar, a ver filmes e mandei vir comida pela aplicação.

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No quinto dia fui tomar o pequeno- almoço a Seminiak, a um café com uma loja de decoração dentro (Kim Soo).

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Choveu bastante na primeira semana, mas engraçado que só chovia por 1 ou 2 horas e depois parava e era como se não tivesse acontecido nada, o sol aparecia, e tudo ficava seco rapidinho. E era sempre na hora do almoço, por isso tinha sempre a manhã toda e a tarde toda para aproveitar.

Acordei e era dia do meu aniversário. PÁRA TUDO…era dia do meu aniversário e EU estava em BALI. OH MEU DEUS. Sem ter sido programado, simplesmente aconteceu, fomos à praia de Pandawa. Meu deus, que praia linda. Chamámos um GO-Jek carro e 45 minutos estávamos lá. Pagámos 120.000 rupias (7,75Euros) de Go-Jek e 10.000 rupias (0,65 Euros) para entrar na praia. Chegámos e tínhamos várias barracas para comer. A vista era de tirar a respiração. Aquele mar era qualquer coisa. Comemos arroz com camarão e bebemos água de côco (não gostei muito da água de côco). Aproveitámos a tarde na praia e passei quase o tempo todo dentro de água (a água mais quente que eu já senti). À noite fomos festejar o meu aniversário a um restaurante de sushi e depois comemos um gelado numa gelataria linda.

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No dia seguinte contratei um taxista para passar o dia comigo em Ubud. Paguei 750000 rupias (49 Euros) pelo dia todo (das 8 da manhã ás 8 da noite). Fui visitar as coisas mais turísticas e fui ao famoso mercado de Ubud, onde comprei as taças de côco que eu tanto queria. Paguei 260000 rupias pelas duas (16 Euros). De volta ao hotel apanhámos um trânsito louco, completamente parado. A viagem durava 1 hora e meia e estive 3 horas no trânsito. Aproveitei para cuscar tudo o que havia para cuscar. Apreciar aquelas pessoas, os seus hábitos, as paisagens, tudo.

 

 

 

 

Nessa noite acordei com umas dores insuportáveis na barriga do lado esquerdo. Tive a noite toda sem conseguir dormir com tantas dores e não podia ir a um hospital pois estava ali sem seguro e não quis arriscar, apesar de achar que ia morrer. Passei os próximos dias a descansar pois a dor voltava todas as noites. Completamente enjoada e sem forças, eu tinha que comer, mas estava no sitio errado para me dar ao luxo de estar enjoada, já que não havia comida sem temperos. Eu só queria uma canja, pão seco e caldo de arroz. Tentei pedir uma sopa simples e sem temperos e o que me apareceu foi uma sopa com um cheiro insuportável a açafrão. Como devem imaginar, só o cheiro acabou comigo. Acabei por conseguir uma tosta mista mais ou menos normal. Esse restaurante “Bali Buda” tinha uma loja de produtos biológicos e macrobióticos e andei à procura de algo que me pudesse ajudar, mas nada, nem um chá para o estômago.

Passado uns dias fiquei finalmente melhor e pude respirar de alívio. Mas uma simples bowl de fruta desencadeava a dor. Tive que ter muito cuidado e tentar comer o mais simples possível, o que foi mesmo muito difícil. Passei muito tempo na espreguiçadeira na piscina a relaxar e apreciar aquela magia de Bali. A calma, o sossego, a paz, o silêncio, o barulho dos pássaros. Ali, as pessoas são tão tranquilas e felizes. Dá para ver no olhar e nos sorrisos que são verdadeiramente felizes, apesar de não terem muito. As pessoas a trabalhar são super lentas, tudo com muita calma, sem pressa para nada. Acredito que para além de filosofia de vida, é tudo devido ao calor também. É impossível ser rápido, o que leva a uma vida mais calma e serena. Assisti uma tarde a uma obra em frente ao hotel, em que reparei que trabalhavam 5 minutos e descansavam 10. Muito engraçado. Aprendi que tudo se faz, não é preciso colocar o nosso corpo em stress. Sempre tentei ser o mais rápida possível em tudo, e isso levou me a ter níveis de stress esgotantes, que me deixavam cada vez mais ansiosa e deprimida, o que levava a um grande número de problemas e necessidade de medicação.

 

 

 

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Quase no último dia fui fazer o que eu queria fazer e já nem me lembrava que o queria fazer, que foi visitar um Healer. Eu não fiz planos para esta viagem, simplesmente deixei correr e fiz o que me apetecia à hora que me apetecia e um dia acordei e sabia que me faltava ir a um curandeiro. Eu estava em Bali e não ia ver um Healer? Chamei um taxi da aplicação Go-Jek e fui. Bali Chy Healing, foi onde eu fui. Ficava a quase uma hora do meu Hotel e era em Canggu. A primeira pergunta que ele me fez foi se o que me interessava daquela visita era mente, corpo ou alma. E eu escolhi alma. Ele fez me imensas coisas como massagem (reflexologia, acupultura, limpeza, osteopatia, quiroprática) e limpeza de energia (reiki, chakras, técnicas balinesas, pranatheraphy).

No fim, ele demonstrou numa folha de papel como ser feliz (HAPPY). Ele diz que para se ser feliz temos que ser Healthy, Aware, Present, Positive and Yourself.  Não imaginam como eu saí de lá… tão leve.

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Excerto do meu diário de Bali

“…Este sítio é perfeito para complementar o meu curso de Health Coach. Esta viagem veio no momento certo, na altura certa. E adivinhem só os módulos desta semana …meditação, sono e stress. Nada é mesmo por acaso. Obrigado pela oportunidade de poder passar por tudo isto. (…)”

 

Ps. Desculpem não ter quase fotos e de pouca qualidade de Bali, mas logo no dia de embarque, em Madrid, parti a minha lente da máquina fotográfica e fiquei sem ela a viagem toda.

 

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